Novo livro de Frithjof Schuon

A Editora Sapientia acaba de publicar seu primeiro livro: A Transfiguração do Homem, de Frithjof Schuon. Nesta obra, a última escrita pelo grande sábio suíço-alemão, são abordados temas diversos:

O primeiro capítulo, intitulado “O pensamento: luz e perversão”, fala do que é a verdadeira filosofia e das diferenças entre ela e a filosofia moderna, bem como entre ela e a teologia.

O segundo capítulo, “Reflexões sobre o sentimentalismo ideológico”, discute doutrinas que são aparentemente lógicas e avessas a todo sentimentalismo, mas que partem um um axioma que é determinado por um sentimento.

O terceiro capítulo, “Usurpações do sentimento religioso”, discute a noção de pátria e sua dependência da verdade e da religião. No quarto, “A convergência impossível”, o autor mostra como não há uma convergência possível entre a religião e a civilização moderna.

No quinto o autor discute a questão da arte, do ponto de vista tradicional. Em “O sentido espiritual do trabalho”, sexto capítulo, são discutidas as condições para a integração do trabalho na vida espiritual.

Outros capítulos se seguem: “Faculdades e modalidades do homem”, “Axiomas da Sophia perennis”, “O mistério da possibilidade”, “O ritmo ternário do espírito”, “Um enigma do Evangelho”, “Características da mística voluntarista”, “Sobre o princípio sacrificial” e “Dimensões da oração”. O livro é fechado com extratos de cartas sobre temas diversos.

Editora

A Sapientia é uma editora voltada à publicação de autores da Escola Perenialista: Frithjof Schuon, René Guénon, Titus Burckhardt, Ananda Coomaraswamy, Martin Lings, William Stoddart e outros, bem como de obras clássicas da espiritualidade universal. Seu objetivo é publicar expressões da Sabedoria pura, intemporal, aquela, precisamente, que se convencionou chamar Sophia perennis.

No momento, está em preparação a publicação de outro livro de Frthjof Schuon: Forma e Substância nas Religiões.

Alguns extratos do livro

“O progressismo é querer eliminar os efeitos sem querer eliminar as causas; é querer suprimir as calamidades sem saber que elas não são senão o que é o homem e que elas resultam necessariamente de sua ignorância metafísica ou de sua falta de amor a Deus. É preciso igualmente levar em conta isto: Deus não pode “ter interesse” em primeiro lugar no bem-estar das criaturas, pois Ele quer as almas e seu bem imperecível e não as coisas passageiras do mundo material; se Deus quer também nosso bem-estar terrestre, é não porque ele o vê como um fim em si, mas porque certa felicidade é a condição normal do homem, que é criado essencialmente em vista dos valores eternos; Deus “tem interesse” em nosso bem-estar na medida em que nós tiramos proveito dele em vista de Deus e não de outro modo, mas, fora desse “interesse” — se esta palavra é permitida aqui a título provisório — Deus “deixa chover sobre os injustos como sobre os justos”. Junto com o pão, é preciso dar a verdade, pois “nem só de pão vive o homem”; a fome com a verdade vale mais que a comodidade com o erro. O bem-estar está aí para servir nossos fins últimos como a argila está aí para fazer potes.” (“Reflexões sobre o sentimentalismo ideológico”)

 

“... Mas voltemos à noção de pátria: concretamente, a pátria é, não necessariamente um Estado, mas o país, ou a paisagem, onde se nasceu, e o povo ou o grupo étnico ou cultural ao qual se pertence; não é senão natural que o homem ame sua ambiência de origem, assim como é natural, nas condições normais, que o homem ame seus pais ou que os esposos se amem reciprocamente e amem seus filhos; e não é menos natural que todo homem contribua, segundo sua função e seus meios, à defesa de seu país ou de seu povo quando eles são atacados; não pretendemos de modo nenhum que seja sempre ilegítimo que uma nação ataque uma outra, mas, neste caso, é ilegítimo – diga-se de passagem – constranger todos os cidadãos sem distinção a participar do ataque, pois tradicionalmente, ou, digamos, segundo o direito natural, uma mobilização em massa só é legítima em caso de risco nacional. Mas o patriotismo nacionalista, precisamente, não se contenta com posições naturais: segundo ele, a pátria na prática é parte integrante da religião, mesmo se ela oprime esta última. Isso não quer dizer que a pátria não seja mais que um acidente terrestre sem alcance espiritual, longe disso: somos os primeiros a reconhecer que a pátria assume um valor religioso na medida em que ela veicula concretamente e tradicionalmente a religião; isto não deixa dúvida no caso da Terra védica, de Israel da Antigüidade, do Império do Centro, do Japão xintoísta, do Dâr al-Islâm e de outros casos análogos; e isto se aplica, evidentemente, também à antiga Cristandade, depois ao Santo Império e, em certa medida, ao Reino de França, “filha mais velha da Igreja”; e notemos que o rei de França considerava que sua autoridade procedia de Davi pela analogia sacramental, enquanto o imperador da Alemanha derivava a sua de César por continuidade histórica...” (“Usurpações do sentimento religioso”)

 

“O princípio sacrificial na prática é isto: após a colheita, o homem dispõe de muito trigo com o qual poderá fazer o pão, mas ele evita utilizar todo o trigo; pois deverá poder semear o campo em vista de uma nova colheita. Esse sacrifício do semeador é profundamente simbólico: sem ele, esgotar-se-ia uma riqueza que deve poder renovar-se; querendo ter tudo ao mesmo tempo, o homem privar-se-ia do pão cotidiano. É assim que a vida é tecida de dádivas e de sacrifícios; não é durável senão o que sabe morrer a fim de renascer. Daí essas “estações de repouso” que são o sabbat, o domingo, a sexta-feira para os muçulmanos, e também, segundo um ritmo mais espaçado, o alqueive e o Ramadã; na natureza, a noite e o inverno são fenômenos análogos. Na vida conjugal, esse princípio é uma conditio sine qua non da estabilidade, portanto da felicidade; é preciso ser sóbrio por respeito aos seres e às coisas, e é o que exige a priori o senso do sagrado.” (“Sobre o princípio sacrificial”)

 

“Há os arquétipos, que são eternos, dado que estão contidos no Intelecto divino, e há seus reflexos terrestres, que são temporais e efêmeros, dado que estão projetados nesta substância movente que é a relatividade ou a contingência. A sabedoria é não somente se desapegar dos reflexos, mas também saber e sentir que os arquétipos se encontram em nós mesmos e são acessíveis no fundo de nossos corações; nós possuímos aquilo que amamos, na medida em que o que amamos é digno de ser amado.


“Em vez de ter sempre os olhos fixados nas imperfeições do mundo e nas vicissitudes da vida, o homem não deveria jamais perder de vista a felicidade de ter nascido no estado humano, o qual é a via de acesso para o Céu. Louva-se Deus, não somente porque ele é o Sumo Bem, mas também porque ele nos fez nascer à porta do Paraíso; o que quer dizer que o homem é feito para tudo o que leva ao Paraíso: para a Verdade, para a Via e para a Virtude.” (Extrato de correspondência)