Ananda Coomaraswamy
Ananda
Kentish Coomaraswamy nasceu em Colombo, Ceilão, em 1877. Era filho
de um deputado, Sir Muthu Coomaraswamy, e de uma inglesa, Elizabeth
Beeby. Seu pai morreu quando Anada tinha dois anos de idade, e a mãe
e o filho retornaram para a Inglaterra.
Coomaraswamy formou-se em geologia e botânica em 1900. Em 1902, foi morar no Ceilão, onde obteve seu doutorado estudando a mineralogia cingalesa e iniciou seus estudos de arte oriental. Em 1917, mudou-se para os Estados Unidos para atuar como o primeiro conservador de arte indiana do Museu de Belas Artes de Boston. Além de ampliar seus conhecimentos de arte, Coomaraswamy estudava línguas como o Sânscrito e o Páli, e se aprofundava nas escrituras e na literatura religiosa das tradições orientais e ocidentais.
Em 1933, tornou-se curador do Museu de Belas Artes, função que desempenhou
até sua morte.
Durante sua longa vida, Coomaraswamy deu grandes contribuições nos
campos da arte, da literatura e da religião. Coomaraswamy citava de
cor textos sagrados ou filosóficos das mais diferentes tradições,
os quais lia no original. De fato, ele dizia ter familiaridade com
36 línguas – e familiaridade significava para ele poder ler textos
dessas línguas sem o uso do dicionário. Uma vez chegou a dizer que
podia “pensar” em termos orientais e cristãos – em grego, latim, sânscrito,
páli e em certa medida em persa e chinês!
Já um renomado scholar – Heinrich Zimmer se referiu a ele
como “aquele nobre erudito sobre cujos ombros ainda nos apoiamos –
Coomaraswamy conheceu em 1932 a obra de René Guénon e imediatamente
compreendeu seu alcance e sua profundidade. A partir de então, tornou-se
um dos fundadores da Escola Perenialista. Nesta última parte de sua
vida, dedicou-se a explicar a metafísica e o simbolismo tradicionais.
Seus escritos deste período estão cheios de referências a Platão,
Plotino, Clemente de Alexandria, Philo, Santo Agostinho, Santo Tomás
de Aquino, Shânkara, Mestre Eckhart e outros místicos alemães e orientais.
Quando lhe perguntaram o que ele era, respondeu que era principalmente
um metafísico, no sentido da Filosofia Perena ou Sophia Perennis.
“Sob muitos aspectos, eles [Guénon e Coomaraswamy] cobriram o mesmo terreno, pois os escritos de ambos são centrados nos princípios metafísicos e ambos, deste mesmo ponto de partida, escreveram críticas pertinentes e devastadoras do mundo moderno. Em particular, Coomaraswamy era também, como Guénon, um mestre do simbolismo; mas há em Coomaraswamy toda uma dimensão estética que não encontramos em Guénon, que não era uma autoridade em arte.”
“Continuamente, Coomaraswamy parte para enfrentar a dita intelligentsia do mundo moderno em seu próprio terreno, ou seja, no campo do que essa intelligentsia chama de “academicismo puramente objetivo” e que é o único que ela respeita ... Coomaraswamy toma o tema da importância básica da religião em geral e expõe sua tese com uma maestria que nenhuma autoridade moderna realmente culta poderia deixar de reconhecer – poderíamos dizer mesmo, uma maestria diante da qual nenhuma dessas autoridades poderia não se sentir diminuída, pois os escritos de Coomaraswamy levantaram em muitas mentes, tanto antes como depois de 1947, a questão de se jamais houve um scholar tão grande quanto ele.”
Os dois últimos parágrafos foram extraídos de The Eleventh Hour, de
Martin Lings.
Coomaraswamy morreu nos EUA, em 1947.