A obra filosófica de Schuon
A
obra filosófica de Frithjof Schuon envolve a metafísica, a religião
comparada, a ciência tradicional, o simbolismo, a arte sacra e a crítica
do mundo moderno.
Não é uma obra de pensamento moderno, racionalista, que parte de uma dúvida, mas sim uma obra intelectual no sentido original do termo, que se refere ao conhecimento supra-racional. Schuon escreve não por ter dúvidas, mas por ter certezas, partindo da certeza básica do Absoluto.
Esta distinção é fundamental.
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Duas citações importantes de Schuon que podem ser aplicadas a sua própria obra:
Toda exposição doutrinal evoca logo de início a questão das fontes da certeza e por conseqüência dos critérios da verdade. Ora, a verdade nos é dada, por um lado, do exterior e, por outro lado, do interior, conforme seja indireta e formal ou direta e essencial: nas condições normais, apreendemos a priori a realidade das coisas divinas pela Revelação, que nos fornece os símbolos e os dados indispensáveis, e temos acesso a posteriori à evidência dessas coisas pela Intelecção, que nos revela sua essência além das formulações recebidas -- mas não contra elas -- com a condição de que nada em nossa natureza ou em nossa vontade se oponha a isso. A Revelação é uma Intelecção no macrocosmo, enquanto que a Intelecção é uma Revelação no microcosmo."
O que se impõe em nossa época, e mesmo em toda época que se afasta das origens, é fornecer a alguns chaves renovadas -- mais diferenciadas e mais reflexivas que as antigas, mas não melhores -- para ajudá-los a redescobrir verdades que estão inscritas, com uma escrita eterna, na própria substância do espírito."
Edições
Todos os livros filosóficos de Schuon foram escritos em francês. Quase todos foram traduzidos para o inglês, muitos deles em trabalho da editora World Wisdom Books. Em espanhol, alguns de seus livros foram publicados pela Editora Taurus; outros foram lançados por José J. de Olañeta, Editor (as duas casas são de Espanha).
Em português, foram publicados A Transfiguração do Homem (tradução de La Transfiguration de l'Homme), O Homem no Universo (tradução de Regards sur les Mondes Anciens, pela Ed. Perspectiva) e O Sentido das Raças (tradução de Castes et Races, pela Ibrasa). Foi lançada também, pela Record, uma nova tradução de Comprendre l'Islam, com o título Para Compreender o Islã, em excelente tradução de Mateus Soares de Azevedo. (Registre-se apenas um pequeno problema de revisão da editora, que deixou com inicial minúscula certos termos do capítulo inicial que, para indicar que se trata de conceitos relativos ao Divino, vêm no original com maiúscula. Isso, contudo, é um problema localizado e não causará problemas ao leitor atento.)
Anteriormente, haviam sido publicados A Unidade Transcendente das Religiões e Compreender o Islão (Publicações Dom Quixote, Lisboa) e O Esoterismo como Princípio e como Caminho (Pensamento, São Paulo). Infelizmente, esses três primeiros livros contêm problemas sérios de tradução que, a nosso ver, desaconselham sua aquisição.