Martin Lings
Martin Lings nasceu em Burnage, Lancashire, em 24 de janeiro de 1909.
Após receber uma educação clássica, estudou Inglês em Oxford, onde
foi aluno e depois amigo próximo de C.S. Lewis. Seus amigos mais próximos
em Oxford naqueles primeiros anos foram os que depois seriam seus
companheiros espirituais: Adrian Paterson e Peter Townsend.
Depois de se graduar em Inglês em 1932, Lings passou um ano na Polônia ensinando inglês. Em 1935, foi para a Lituânia onde lecionou anglo-saxão e middle English na Universidade de Kaunas.
Em 1935, Martin Lings descobriu os escritos do filósofo francês René Guénon (1886-1951). Em 1936 enviou exemplares dos livros de Guénon a seu amigo Adrian Paterson, que então vivia em Hong Kong. Em 1938 deu os mesmos livros a Peter Townsend, que, como havia acontecido com seus dois amigos, foi imediatamente convencido pela verdade das exposições que Guénon fazia da metafísica universal, da ortodoxia tradicional, da ciência das formas (simbolismo) e da cosmologia tradicional. Estas idéias fundamentais daí em diante dominariam as vidas destas três personagens.
No final da década de 1930, Lings, Paterson e Townsend entraram em contato com os fulgurantes e poéticos escritos de Frithjof Schuon (1907-1998). Se Guénon foi o pioneiro da escola tradicionalista, Schuon foi quem a levou à completude e, ao mesmo tempo, expôs sua quintessência. No começo de 1938 Lings foi à Basiléia conhecer pessoalmente Schuon. Alguns meses depois, Paterson veio ao seu encontro e no Natal do mesmo ano vieram Townsend e sua esposa. A partir daquele momento, os três amigos passaram a dedicar sua vida a colaborar com Schuon. Ao mesmo tempo tornaram-se amigos próximos de Titus Burckhardt (1908-1984), que na época também residia na Basiléia. Mas Adrian Paterson não viveria muito. Ele foi trabalhar no Egito e morreu no Cairo em consequência de um acidente.
Em 1939, Lings foi para o Egito como professor de literatura inglesa na Universidade do Cairo, onde ensinava principalmente Shakespeare. Ali, tornou-se próximo de René Guénon, atuando na prática como seu secretário e vendo-o quase que diariamente. Outros de seus companheiros naquele momento eram Whitall Perry e sua esposa, que viviam no Cairo naquela época. Whitall Perry, que depois se mudou com a esposa e dois filhos para Lausanne, tornar-se-ia o organizador da famosa antologia A Treasury of Traditional Wisdom, e autor de vários livros sobre temas tradicionalistas.
Em 1952, quando todos os cidadãos britânicos foram demitidos do serviço governamental egípcio, Lings voltou para a Inglaterra e tornou-se mais uma vez um universitário, agora na Universidade de Londres, onde graduou-se em árabe. Depois, obteve o doutorado com uma tese sobre o grande Cheikh Argelino Ahmed Al-Alawi (1869-1834), de quem o orientalista britânico A.J. Arberry escreveu: "Sua erudição e santidade fazem pensar na idade de ouro dos místicos medievais." Esta tese depois tornou-se o livro Um Santo Sufi do Século XX (A Sufi Saint of the Twentieth Century).
Em 1955, Lings ingressou na equipe do British Museum (depois renomeado como British Library), onde de 1970 a 1975 teve o cargo de conservador de manuscritos orientais. De 1974 a 1976, foi consultor para a organização do Festival Mundial do Islã, que se realizou em vários museus de Londres durante o ano de 1966. O próprio Lings organizou a monumental exibição de maravilhosos manuscritos alcorânicos de todas as partes do mundo que aconteceu no Museu Britânico. Além disso, junto com Titus Burckhardt, colaborou ativamente na exibição "As Artes do Islã", que fez parte do mesmo festival. Em 1977, Lings foi à Meca, a convite da Universidade Rei Abd Al-Aziz, a fim de participar de uma conferência sobre educação islâmica.
Junto com Lorde Northbourne e outros amigos, Martin Lings esteve presente no inesquecível encontro entre Frithjof Schuon e Swami Ramdas na casa de Marco Pallis e Richard Nicholson em Londres, em setembro de 1954.
O Dr. Lings era um escritor prolífico. Seus livros podem ser divididos em três categorias: (1) suas obras filosóficas ou teológicas (Ancient Beliefs [Sabedoria Tradicional e Superstições Modernas, Polar, 1998] , The Eleventh Hour, e Symbol and Archetype); (2) seus escritos e palestras sobre Shakespeare, reunidos no magistral The Secret of Shakespeare [A Arte Sagrada de Shakespeare, São Paulo, Polar, 2004]; (3) e seus livros sobre temas islâmicos (The Life of Muhammad, A Sufi Saint of the Twentieth Century, What is Sufism?, The Quranic Art of Calligraphy and Illumination,e The Book of Certainty).
Sobre o pseudônimo de "William Massey", Lings traduziu para o inglês Oriente e Ocidente de René Guénon. Ele foi por toda sua vida um expositor, à sua própria maneira, dos ensinamentos de Guénon e Schuon.
Após seu retorno à Inglaterra em 1952, Lings visitou Frithjof Schuon todos os anos na Suíça (e depois nos Estados Unidos), e também recebeu visitas anuais de Schuon à sua casa na Inglaterra.
Frequentemente acompanhado de sua esposa, o Dr. Lings fez inúmeras viagens ao longo dos anos, visitando repetidamente seus amigos na América do Norte, na África do Sul, no Oriente Médio, no subcontinente indiano e na Malásia.
O Dr. Lings tinha um amplo círculo de amigos, tanto na Inglaterra quanto no exterior. Entre eles, sua hospitalidade tornou-se lendária. Durante décadas, todos os domingos ele recebia em sua casa em Westerham muitos amigos para o chá da tarde no terraço que dava para um belo jardim; depois faziam uma longa caminhada pelo campo, uma generosa refeição e tinham uma noite de instrução espiritual e oração. Além de seus milhares de leitores, seus numerosos amigos pessoais o relembram com um profundo senso de gratidão.
O Dr. Lings morreu em paz no dia 12 de maio de 2005.
(escrito por William Stoddart)