O que é Misticismo?

por William Stoddart

Com exceção daqueles que o rejeitam ou o ignoram totalmente, as pessoas em geral têm por aceite que o misticismo reivindica referir-se à “Realidade Suprema”. A relação em questão é na maior parte considerada como sendo do tipo “experiencial”, e é usada com freqüência a frase “experiência mística”— assumindo-se que o objeto de tal experiência é, precisamente, a “Realidade Suprema”, a qual é declarada transcendente e oculta em relação à nossa percepção comum. Essa experiência mística é tida como “incomunicável” e é freqüentemente dita puramente “subjetiva”, no sentido pejorativo, particularmente quando se lança alguma dúvida sobre o alegado objeto da experiência.

Entretanto, admitir-se-á em geral que, assim como há uma “experiência mística”, há também uma “doutrina mística”. Conseqüentemente, há ao menos algo a ser comunicado (pois este é o significado de doutrina), e ao mesmo tempo algo que é “objetivo”, dado que tudo o que pode ser transmitido precisa ser objetivo, mesmo que o objetivo venha a se mostrar ilusório. O subjetivo em si não pode ser transmitido , mas seu objeto pode — ao menos em termos conceituais. Dizer: “Passei por uma experiência indescritível” já é uma descrição e uma comunicação. Enquanto tal, ela pode ser considerada objetivamente por terceiros e, dependendo de sua adequação, da sensibilidade do ouvinte e da realidade do objeto, ela pode mesmo fazer vibrar nele uma corda respondente. Isto significa que em circunstâncias favoráveis ela pode em maior ou menor grau estimular no ouvinte uma intuição ou “experiência” similar.

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